Durante muito tempo, ser-se desdecende de uma das pessoas mais influentes do local onde vivo, foi tudo menos uma vantagem.
Os devaneiros e aventuras da adolescência não se coadunam com os mil um olhos sempre atentos às voltas e reviravoltas próprias dessa idade.
Passada a idade da palermice, a situação assumiu contornos bem mais agradáveis. Hoje, ser-se reconhecida pelos mais idosos desta terra é um prazer, e uma forma única de conhecer o outro lado do homem, de quem conheci melhor que ninguém, o lado de avô.
Não raras vezes, após a pergunta da praxe - "A menina é a neta do Sr. José, não é?", iniciam-se os mais curiosos dos contos sobre situações vividas anos atrás, quando esta terra era uma pequena vila, quando todos se conheciam e se consideravam pelos nomes de familia.
Realmente, foi preciso envelhecer uma vintena de anos para aprender a apreciar estas pequenas pérolas, cada vez mais raras diga-se.
Hoje os nomes de familia pouco dizem, as pessoas estão cada vez mais desligadas da vida da terra, poucos se conhecem, poucos se ralam com estas pequenas atenções de quem já viveu e passou muito neste lugarejo, hoje cidade.
Um sinal dos tempos, dirão. Eu diria um mau sinal de atribulados tempos sociais.


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