...
Sentara-se na mesa do costume alheia de quem dela se aproximava.
- Olá, estás bem? Que é feito?
A pergunta fê-la descer à terra, e abandonar o mundo encantado por onde vageava. Ainda com uma expressão de espanto, afinal de contas não se viam há oito anos, respondeu algo a medo que sim.
- Vais trabalhar?
- Sim. E tu o que fazes por aqui?
- Vim trazer o meu sogro. Já casaste?
A pergunta era inevitável. Ao colo estava um rapazinho, a cara chapada do progenitor.
- É teu?
- Dizem que sim!
- Pois, tu lá saberás.
- Continuas bonita...
A exclamação veio acompanhada de um terno carinho na face. Como é possivel que ao fim de tantos anos aquele toque ainda a perturbe.
- Não tenho o teu telefone, nem nada... Ainda tens o meu?
- Sim.
- Não tens nada, nunca mais ligaste...
- Tenho sim, por incrivel que pareça.
Resolveu disfarçar o embarço brincando com o rapazinho louro. Incrivel, até no jeito de olhar é o pai chapado. Deu por si a pensar que poderia ser seu, mas o destino afastara-os oito naos atrás. Restara apenas aquele carinho, não disfarçado.
- Telefona, tenho saudades tuas...
Riu apenas. Sabia que se o fizesse as coisas complicar-se-iam.


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