Solidão...
Ontem à noite fui a um jantar de aniversário. Nada de estranho não fosse o facto do aniversariante ser uma pessoa com alguns problemas do foro psiquiático.
Todos os anos, a prima do Mário, lá se predispõe a juntar os amigos (dela) naquilo que seria um normal jantar de aniversário. Mas não é. O pretexto é esse, sem dúvida, mas o objectivo é tentar dar alguma alegria à vida de uma pessoa, autista, cujo infortunio é ter tido um pai que, movido por sentimos que desconheço, nunca permitiu que o Mário fosse acompanhado na infância por forma a minurar as sequelas, sociais e não só, resultantes da sua diferença.
A infância e adolescência problemática, o escárnio de que foi, e é vitima, fazem dele uma pessoa agressiva e solitária, de dificil inserção social.
Ontem enquanto jantávamos, era impossível não notar que toda aquela atenção, focada na sua pessoa, provocava no Mário uma agitação para lá do normal. Havia nele uma euforia que nos deixava a pensar no quão fácil seria a vida destas pessoas se alguém tivesse o cuidado de os mimar.
A dada altura dei comigo a pensar no cada vez maior número de pessoas sózinhas neste mundo, frio e cruel, sem ninguém a quem recorrer, sem ninguém que lhes possa dar, um dia que seja, um pouco de alegria e carinho. O que senti então foi um misto de medo e tristeza. Não consegui deixar de me imaginar naquela situação, e no que faria se não tivesse ninguém para me acompanhar no decorrer da minha vida.
É nestas alturas que dou graças pelos laços que criei...


2 comentários:
É impressão minha ou há aqui qq coisa de diferente ...
Há sim senhor! :) Gosta?
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