Os Grandes Portugueses...

Se há coisa que não consigo entender é a necessidade desta sociedade eleger os maiores, os melhores em tudo e mais alguma coisa. Um dia destes deparamo-nos com concursos de tiro à cenoura, arremeço de telemóveis ou ainda (mas não menos emocionante) corridas de avelãs, tanto ao gosto dos americanos.

Sabádo à noite, depois de algumas cervejas, os homens do grupo desataram todos a discutir a questão de Salazar estar à frente na corrida para os Grandes Portugueses. De tal maneira que as mulheres mudaram de mesa.
Eu como acho a eleição do melhor português uma prefeita idiotice, já todos os nomes sonantes da nossa história são todos eles grandes portugueses, cada um à sua maneira, acabei por sair também, mesmo sabendo que a conversa na mesa feminina ia acabar por descanbar para assuntos que nada me dizem.

Não contentes com a gritaria a que se dedicavam, e talvez porque todos concordassem uns com os outros, apesar da cerveja não os deixar perceber isso, resolveram raptar-me para a mesa. Mal fadada hora...
Quando me perguntaram o que pensava do assunto, arrependeram-se os que mais à esquerda se encontram (a minoria...). Esperavam de mim uma resposta bem à esquerda, mas acabaram por ter uma resposta de puro desalento. O que deixou de boca aberta metade da mesa, e pôs fim ao imenso alarido que por ali reinava.

É um facto que Salazar foi, é, e será uma das grandes figuras da nossa história. Isso é inigável. A história não se apaga, estuda-se.
Faz-me no entanto alguma espécie que ainda hoje as gentes de esquerda tenham como que medo da figura de Salazar. Sinceramente parece-me mais de temer o porquê da figura ainda hoje manter o carisma e a aura de salvador da pátria. Talvez não fosse má ideia pensarem no que é que se fez por este país nos últimos trinta anos. Este é, sem dúvida, o triste motivo porque cada vez mais se grita pelo nome do senhor. É que ao fim deste tempo todo, tudo continua por cumprir...

Acabei por dali sair antes que o reboliço reiniciasse, e eu acabasse por me chatear, até porque farta de chatisses ando eu, e fui falar de futilidades para a mesa ao lado.

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