...
Não sei à quantos anos a vejo ali, junto ao portão da igreja, rezando. O ritual repete-se a cada manhã. Não raras vezes acaba por perder o transporte que a levará a Lisboa. Mas o dever para com a fé fala mais alto. Pouco depois acaba por tomar o seu lugar a fila, e aguarda pelo próximo autocarro. Sem nunca perder aquele ar sereno de quem medita. Qualquer um que atente nas suas mãos, facilmente percebe que reza. Na mão direita, habilmente roda um pequeno objecto, em tudo semelhante a uma pequena roda dentada, branco, que lhe permite cumprir com os seus íntimos deveres cristãos. À sua volta o mundo corre, acelarado, sem dar grande importância à sua estranha serenidade. Só ela se mantém imóvel de olhos fechados, sorrindo como se visse Deus á sua frente.


Sem comentários:
Enviar um comentário