Há 36 anos...
... ao contrário do que é usual quem chegou atrazado foi o noivo. O que deixou a noiva algo preocupada. As fotografias, ainda a preto e branco, comprovam isso mesmo. Numa delas quase que se dislumbra um brilho estranho nos olhos dela.
Mas apesar do atrazo, apesar das agruras da vida, o amor que os unia, ainda os une, deixando no coração de quem mais tarde nasceu a esperança de um dia encontrar um amor assim...
Há trinta e cinco anos, fazia o mesmo calor de hoje. Ao aeroporto de Lisboa chegava meu pai, vindo de Angola.
É nesta altura que entro na história deste amor. Comecei cedo a dar despesas cá em casa... custei aos meus pais cerca de 17 contos, o custo da passagem de ida e volta para Angola. Foram umas férias abençoadas, pois nelas fui concebida.
Por contigências da guerra do ultramar, apenas conheci o meu pai meses despois do meu nascimento.
Conheceu-me com sete dias por foto, sei que, tal como eu, não queria que me chamasse Susana (sou mesmo filha de meu pai!).... tinha quase nove meses quando me segurou pela primeira vez... em Estremoz, numa noite de muita emoção para quem esperara 27 meses pelo amor da sua vida, por quem adiara 27 meses para viver a sua felicidade em pleno.
Sou mera espectadora dessa felicidade, que dura não há 36 mas há 42 anos. E apenas tenho de agradecer todo amor que me deram, e festejar todo o amor que eles têm um pelo outro até hoje.


Sem comentários:
Enviar um comentário