Pure Black...

Apesar de não seguir obstinadamente as tendências da moda, estou bastante satisfeita com o facto de que as colecções de Inverno sejam na sua essência uma ode ao Negro.
O facto de ter trabalhado com trapos, ensinou-me que a moda somos nós que a criamos através da forma como se assimila e misturam as diversas tendências comercializadas. A este facto é não alheio outro tipo de factores, pessoais e/ou sociais.
Confessa amante das florais cores primaveris, assim que entramos na época estival a minha tendência é para tirar do baú os negros.
Encarada por muitos como uma cor triste e algo morbida, o negro é das cores que mais acentua a força de uma personalidade. Induz sobriedade e elegância, para além de dar um certo toque romantico à mulher que a use de forma intergral, desde que não esqueça alguns requintes femininos.
Cor sagrada, onde o que está fora não entra e o que está dentro não sai. Evidencia a necessidade de protecção e de introspecção.
Com ela sempre se pintaram os movimentos avant garde, muitos deles hoje correctamente apelidados de Gótico. É a expressão de uma tendência urbana e intelectual onde me movo suficientemente bem e à vontade. Foram precisos 30 anos para me conseguir auto-rotular.
Gótica não nas vestes, mas na cor... nos hábitos... nos gostos...

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